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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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PESCA ARTESANAL PORTUGUESA É UM EXEMPLO A SEGUIR EM TODA A EUROPA

Mäyjo, 30.09.15

Pesca artesanal portuguesa é um exemplo a seguir em toda a europa (com VÍDEO)

Portugal é um bom exemplo de como a pesca pode ser mais sustentável. Desde Junho deste ano que o Governo decretou a proibição da pesca de arrasto e com redes de emalhar de fundo numa área superior a dois milhões de quilómetros quadrados.

Se a pesca de arrasto é uma técnica recente, a pesca artesanal – bem mais sustentável – é uma arte de gerações que dá emprego e rendimento a muitas comunidades costeiras portuguesas. Este tipo de pesca é praticado em toda a costa lusitana e a sua arte e segredos são passados de pais para filhos, como é o caso de José Sanches, mestre da embarcação Nosso Ideal. O mestre José é pescador porque desde os avós paternos e maternos que o destino foi igual para todos os homens da família – o do mar ao largo de Sesimbra.

Em época de inverno um mar mais calmo é o que pede o mestre José e mesmo perante alertas amarelos emitidos pela Protecção Civil, o pescador reúne a equipa e parte para o mar porque há contas para pagar e à que pôr comida na mesa. “Trabalha-se todo o ano mas só em dois ou três meses é que se ganha alguma coisa, porque de resto é trabalhar para aquecer”, conta o mestre do Nosso Ideal ao Economia Verde.

Muitas das vezes, o peixe pescado dá apenas para pagar o gasóleo da embarcação. “Isto já foi mais rentável porque agora a exploração é muita. Há poluição e outras condicionantes. Antes eram só meia dúzia de pescadores. Agora, todos os dias há gente a pescar, sejam profissionais ou amadores”, explica José Sanches.

O mestre Sanches queixa-se, como muitos outros pescadores, da pesca lúdica e da fraca fiscalização, mas também da falta de apoio à pesca tradicional. Neste ofício não há férias nem subsídios por falta de emprego. Há apenas dias maus sem idas ao mar. Agora, só talvez no início do próximo ano, é que as idas ao mar do mestre Sanches vão trazer um barco cheio de peixe.

Numa altura em que a sobreexploração dos recursos marinhos e a prática da pesca de arrasto estão na ordem da agenda europeia, ao longo da costa nacional é praticada esta pesca tradicional, com menos impacto no meio marinho. Portugal decretou em Junho deste ano a proibição da pesca de arrasto, mas a nível comunitário, a legislação restritiva a este tipo de pesca com um enorme impacto ambiental só agora começou a ser discutida.

Gonçalo Carvalho, presidente da Sciaena – Associação de Ciências Marinhas e Cooperação – garante que Portugal é um exemplo que a Europa deve seguir no que concerne a este tipo de pesca. “Neste caso, Portugal pesca de uma forma que é mais eficiente e que tem menos impacto ambiental. O arrasto passa e varre tudo e estamos a falar de comunidades marinhas como os corais ou esponjas, que demoraram, em alguns casos, milhares de anos a desenvolver-se”, explica Gonçalo Carvalho.

A pesca artesanal é praticada ao largo de toda a costa e é um sector que representa apenas 0,33% do PIB nacional. Contudo, este tipo de pesca assume em Portugal uma relevância maior daquela que é expressa pelos números, pois esta arte fica em algumas regiões, como é o caso de Sesimbra, comunidades que só no mar conseguem profissão e rendimento.

O Economia Verde foi conhecer melhor esta arte de pesca. Veja o episódio 336 aqui.

Foto: Morsar/ Creative Commons

CIENTISTAS APELAM AO FIM DE TODA A PESCA EM ALTO MAR

Mäyjo, 24.09.15

Cientistas apelam ao fim de toda a pesca em alto mar

Vários biólogos marinhos das universidades de Columbia Britânica, Canadá, e de Oxford, em Inglaterra, fizeram na semana passada um apelo radical para acabar com toda a pesca em alto mar. Segundo o Escience News, tal acção ajudaria a proteger a biodiversidade e sequestrar carbono da atmosfera.

De acordo com a equipa de cientistas, liderada por Rashid Sumaila e Alex Rogers, o apelo compreende as partes do oceano que ninguém possui ou reinvindica por estarem além das zonas económicas de 320 quilómetros, patrulhadas e disputadas por vários Governos.

Saiba por que razão 97% de Portugal é mar.

Estas zonas são verdadeiros sorvedouros de carbono e uma fonte natural da sua remoção da atmosfera, pelo que contribuem para a luta contra as alterações climáticas. Na verdade, a vida nas águas profundas absorve 1,5 mil milhões de toneladas de CO2 da atmosfera, enterrando 500 milhões de carbono no mar por ano. Em valores financeiros, esta acção valerá €110 mil milhões (R$ 330 mil milhões) por ano.

De acordo com o Escience News, apenas um centésimo dos peixes que chegam a todos os portos do mundo são encontrados só no alto mar. Nesta região são pescadas 10 milhões de toneladas, com um valor de mercado de €11,7 mil milhões (R$ 35,6 mil milhões).

“Manter peixes nestas áreas tem mais valor do que apanhá-los,” explicou Sumaila. “Se perdermos a vida no alto mar, teremos de encontrar outro modo de reduzir emissões, a um custo muito mais alto.”

Sumaila ajudou a calcular o valor económico do carbono armazenado pela vida no alto mar, aplicando preços à sua quantidade, e isto incluiu os benefícios de mitigação dos custos da mudança do clima.

Foto:   fung.leo / Creative Commons

AZENHA DO MAR: O QUE FAZEM OS PESCADORES PARA SE TORNAREM MENOS DEPENDENTES DO MAR?

Mäyjo, 14.07.15

Azenha do Mar: o que fazem os pescadores para se tornarem menos dependentes do mar? (com VÍDEO)

“Para mim é o paraíso, é o melhor sítio do mundo para se estar”. É assim que Valter Silva, pescador de 32 anos, fala dos trilhos pedestres da Azenha do Mar. Valter é um dos cinco pescadores que trocaram as redes e os barcos, esporadicamente, para guiarem turistas em percursos de natureza.

Ao mesmo tempo que mostra aos turistas este pequeno pedaço de paraíso do concelho de Odemira, garante um rendimento extra para o orçamento familiar, ainda que simbólico.

“O nosso porto não tem muitas condições, e este Inverno tivemos três meses sem ir ao mar, só recomeçámos a fazê-lo recentemente. E esta é também uma forma de passarmos o tempo. Sabe bem passear e andar”, explicou o pescador-guia ao Economia Verde.

O pai de Valter, José Manuel, também é guia e dá workshops de culinária, em parceria com a mulher. É que a pesca já não mete 40 barcos na Azenha do Mar, como antigamente – hoje, existem pouco mais de 10 barcos.

Com o número de pescadores a diminuir, a cooperativa Taipa tentou perceber como poderia tornar a comunidade piscatória menos dependente do mar. Para além dos passeios na natureza e das aulas de cozinha, os pescadores também produzem e vendem peças de artesanato.

“Tudo isto tem muito a ver com as características desta comunidade, que gosta muito de receber e mostrar o que tem de melhor. E a verdade é que não estava a conseguir fazê-lo. E aí entramos nós, que tentamos potenciar o que já é deles, e mostrá-lo à comunidade e turistas. Todas estas actividades já existiam, mas não eram visíveis”, explicou Ivânia Guerreiro, da cooperativa Taipa, ao Green Savers.

A estratégia passa também por vender o peixe directamente aos consumidores, um projecto chamado de Cabaz do Mar. Em cada encomenda, um consumidor recebe três quilos de peixe apanhado exclusivamente na Costa de Odemira e disponível no dia da compra. O objectivo é promover uma pesca mais sustentável e valorizar espécies geralmente menos apreciadas. Veja como a comunidade piscatória de Azenha do Mar está a mudar no episódio 240 do Economia Verde.

Proteja o planeta que nos fornece

Mäyjo, 23.06.15

Ruos Sophy e sua família vivem numa casa flutuante no lago Tonle Sap, um grande lago interior do Camboja.

Eles dependem do peixe que apanham para se alimentar e fornecer uma pequena empresa, gerida por Sophy, que produz pasta de peixe fermentado para os mercados locais. Quando as populações de peixes no lago Tonle Sap começaram a diminuir, os seus meios de subsistência ficarm em risco.

Programas de conservação internacionais no Camboja estão a abordar as questões difíceis de como restaurar o peixe que foram devastados como resultado do desenvolvimento - e também ajudando Sophy e seus vizinhos a lidar com a situação.

Assista ao vídeo para ver como estas famílias locais estão a ser ajudadas a melhorar suas vidas.

 

Video Still - Sophy

MADAGÁSCAR: COMO OS PESCADORES PERCEBERAM QUE A SOLUÇÃO ESTÁ NA CONSERVAÇÃO

Mäyjo, 06.05.15

vezo_SAPO

Há mais de 1.000 anos que os Vezo, povo semi-nómada do sudoeste de Madagáscar, vivem unicamente do que pescam no Canal de Moçambique. Mas quando o biólogo britânico Alaisdair Harris visitou a região, há mais de 10 anos, descobriu aldeias piscatórias com dificuldades em encontrar peixe suficiente para se alimentarem, devido ao aumento populacional e decréscimo dos stocks marítimos.

Conta o The Guardian que, quando Alasdair e a sua organização, a Blue Ventures, sugeriram que os Vezo fechassem uma das suas zonas de pesca por alguns meses, em 2004, a reacção não foi muito positiva. Mas foi aceite.

“Quando a reabrimos, apanhámos 1.200 quilos de polvo num só dia”, recordou Gilas Adrianamalala, que trabalhava na Blue Ventures como investigador. “Convidámos pessoas de 20 aldeias para ver o produto da pesca, para mostrar à comunidade que só têm a ganhar se olharem pelos seus recursos”.

Hoje, a Blue Venture tornou-se influente na comunidade global de conservação. Em Madagáscar, outras comunidades piscatórias seguiram o modelo e o País tem hoje centenas de áreas costeiras monitorizadas e protegidas pela população local. “Cerca de 11% da área costeira de Madagáscar está sob protecção”, explica Harris. “O que é extraordinário, se pensarmos que Madagáscar é um dos países mais pobres do mundo”.

O sucesso de Blue Ventures levou a que organizações de países vizinhos replicassem o modelo de protecção das suas áreas costeiras. Os Vezo representam uma fracção dos milhões de pessoas que sobrevivem em regiões costeiras que são altamente vulneráveis às alterações climáticas.

Segundo Harris, os programas de conservação só funcionam se todos trabalharem junto dos que dependem do mar, ajudando-os a reconhecer a importância da conservação ao nível humano. “O nosso sector nunca compreende. A maioria das pessoas são marginalizadas pela conservação”, continua Harris.

Há muito que os ecologistas dizem que 30% dos oceanos têm de ser protegidos, mas menos de 1%, actualmente, goza deste estatuto. “A abordagem tem de ser radicalmente diferente”, concluiu, enquanto dá um exemplo: há centenas de zonas de pesca protegidas em Madagáscar, um país pobre, mas apenas dois ou três no Reino Unido. Isto faz algum sentido?

Foto: WRI / Creative Commons